quarta-feira, 15 de junho de 2011

Perturbação na atenção, no controlo motor e na percepção (DAMP)

Perturbação na atenção, no controlo motor e na percepção (DAMP)


Pode conduzir a sérios problemas escolares



Trata-se, de um ponto de vista formal, de um conjunto de sintomas e sinais com causas diferentes e pode ter diversas causas. O DAMP é a associação de uma Perturbação da Atenção, a problemas no controlo motor e a problemas da percepção visual.

Para uma adequada formulação do diagnóstico de DAMP, torna-se necessário o envolvimento de uma equipa multi-disciplinar, que integre, no mínimo, um pediatra desenvolvimentalista, um psicólogo e um terapeuta da fala.

Primeiro critério – Défice de Atenção

O primeiro critério de diagnóstico de DAMP está relacionado com o Défice de Atenção (ou desatenção ou falta de atenção), expressa comportamentos como: não prestar atenção aos detalhes, cometer erros na escola ou em outras actividades por desatenção ou descuido; dificuldades em manter a atenção durante as tarefas ou jogos; parecem não ouvir o que se lhes diz, mesmo quando estamos a falar directamente com eles; não seguirem instruções e não terminarem os trabalhos escolares ou as tarefas caseiras.

Podem também revelar grandes dificuldades na organização de tarefas e de actividades; evitarem ou não gostarem de tarefas que requeiram concentração (como trabalhos escolares, em casa ou na escola); perderem objectos importantes ou imprescindíveis a um adequado desempenho em tarefas ou em jogos; frequentemente distraírem-se com estímulos desinteressantes (ex: uma mosca que passa).

Segundo critério - Perturbação do controlo motor

O segundo critério diagnóstico está relacionado com uma perturbação no controlo motor. Esta disfunção, corresponde a uma alteração quantitativa (atraso significativo na aquisição das competências motoras) ou qualitativa (desajeitamento ou falta de destreza na execução de movimentos) dos desempenhos motores.

Estas manifestações variam consoante a idade da criança. Por exemplo, antes dos 24 meses de idade, pode em vez de se sentar pelos seis ou sete meses, só adquirir essa capacidade aos nove ou dez meses; a aquisição da marcha (andar autonomamente) deverá surgir entre os onze e os quinze meses, mas as crianças com DAMP podem só começar a andar por volta dos dezoito meses.

À medida que a criança cresce é importante que os pais se mantenham atentos, a outras manifestações, por vezes mais subtis, como sejam a maneira desajeitada como a criança dá um pontapé na bola ou dá um nó aos atacadores dos sapatos.

Terceiro critério - Dificuldades perceptivas

O terceiro critério diagnóstico está relacionado com uma perturbação da percepção (sobretudo visual). Para a formulação deste diagnóstico, torna-se necessário administrar testes específicos.

Notam-se problemas nos desempenhos cognitivos não-verbais. As crianças com perturbações da percepção visual têm sérias dificuldades na execução de tarefas que exijam competências visuo-espaciais, como reproduzir padrões com cubos de madeira, realizar puzzles ou reproduzir construções a partir de modelos (desenhos ou fotografias, por exemplo).

Poderão ser notadas, também, perturbações na percepção auditiva e táctil, embora os problemas perceptivos visuais sejam os mais relevantes. Por vezes, torna-se difícil saber se determinada incapacidade está relacionada com disfunções na coordenação motora, na percepção visual, ou com ambas.

Quarto critério - Problemas de Linguagem

Muitas vezes, existem também problemas linguísticos (sobretudo da articulação mas também podem surgir no volume da voz). Nos casos graves de DAMP, há disfunções em quatro áreas: Atenção; Motricidade (grosseira; fina); Percepção Visual; Linguagem. Nos casos ligeiros ou moderados, só algumas destas cinco áreas estão atingidas.

Após o diagnóstico, é importante que a criança/jovem tenha um seguimento psicopedagógico, de forma a ultrapassar as suas maiores dificuldades. Os estudos demonstram que, com a intervenção adequada, as melhorias são evidentes.

Sapo Família-Guia dos pais


A Discalculia

A Discalculia

A Discalculia

Algumas crianças possuem enormes dificuldades no cálculo numérico



A matemática pode ser um entrave ao sucesso escolar. Muitas crianças não compreendem os problemas , ldemoram muito tempo a tentar perceber se é suposto somar, diminuir ou multiplicar, ou seja, não conseguem perceber o tipo de operação matemática que é pedida.

Alguns, em particular, não entendem os sinais, muito menos as expressões. Contas? Só se conseguirem utilizar os dedos e mesmo assim nem sempre conseguem. As dificuldades podem ser realmente da criança e trata-se de um distúrbio e não de preguiça, como pensam muitos pais e professores menos informados.

Como se manifesta ?

A discalculia é um dos transtornos de aprendizagem que provoca o surgimento de dificuldades ao nível da matemática. Este transtorno não é causado por nenhuma deficiência mental, déficits visuais, auditivos ou por má escolarização.

A discalculia pode ser classificada em seis subtipos, podendo ocorrer em combinações diferentes e com outros transtornos:

  • Discalculia Verbal - dificuldades em nomear as quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações.
  • Discalculia Practognóstica - dificuldades para enumerar, comparar e manipular objectos reais ou em imagens.
  • Discalculia Léxica - Dificuldades na leitura de símbolos matemáticos.
  • Discalculia Gráfica - Dificuldades na escrita de símbolos matemáticos.
  • Discalculia Ideognóstica – Dificuldades em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos.
  • Discalculia Operacional - Dificuldades na execução de operações e cálculos numéricos.

O que é que o professor pode fazer ?

Depois de ter sido efectuada a sinalização e consequente avaliação psicológica, o aluno deverá usufruir de um apoio psicopedagógico individualizado (está previsto na lei – decreto 3/2008).

Para além disso há que evitar acentuar as dificuldades do aluno perante a turma, mostrar impaciência pelas dificuldades que o aluno expressa ou estar permanentemente a corrigi-lo (ao invés é preferível deixá-lo raciocionar e chegar lá por si próprio).

Ajuda do psicólogo

Um psicólogo para além de ser fundamental na detecção das dificuldades do aluno, pode ajudar a elevar a sua auto-estima, valorizando as suas actividades e progressos. Os jogos irão auxiliar na seriação, classificação, habilidades psicomotoras, habilidades espaciais, contagem.

Os estudos têm mostrado que o uso do computador é bastante útil, por se tratar de um objecto de interesse da criança.

Texto da autoria de Drª Teresa Paula Marques Psicóloga Clínica, especialista em Psicologia Infantil e do Adolescente