Na hora de dormir, seu bebê precisa de todo o silêncio do mundo para conseguir enveredar no mundo dos sonhos, certo? Errado! Nem sempre é assim. Muitos bebês gostam de barulhos da natureza como chuva, rios ou mares, além de sons de pássaros ou do vento soprando levemente sobre a folhagem.
Existem crianças que não têm problema algum para dormir, mas muitas delas acabam sendo afetadas pelos barulhos alheios, o que acaba trazendo noites mal dormidas para pais e filhos. Se seu bebê não dorme bem, ninguém consegue dormir direito também, não é mesmo?
Os barulhos do mundo moderno não param nem durante a noite e fazer com que todos eles interrompam só para seu bebê dormir parece ser impossível. Mas, enquanto sons de música instrumental lenta, sons da natureza ou qualquer emissão de sons calmantes ajudam nossos pequenos a relaxar, só um acaba com a interferência de todo barulho ao redor, trazendo um sono sem interrupções, o barulho branco.
Mas o que é barulho branco? É um barulho que nasceu da junção de todas as frequências de barulhos existentes, somando cerca de 20.000 sons. Quando este som é emitido, anula qualquer outro que insista em perturbar aquela cena angelical que é a do seu bebê dormindo tranquilamente.
Este ruído é similar ao das TVs antigas quando não conseguiam sintonia. Você pode achá-lo em aparelhos próprios para a emissão deste tipo de som ou em MP3 para downloads gratuitos ou pagos na internet. Ele também pode vir puro ou misturado a sons calmantes como os da natureza. Vale a pena tentar! Espero que esta dica ajude a afastar os vizinhos barulhentos, ou pelo menos o som deles. Boa sorte!
sábado, 14 de maio de 2011
Melhore o desempenho escolar melhorando a memória
A neurociência tem muito a contribuir para a educação e muito tem sido descoberto nos últimos anos. De acordo com um cientista ganhador do prêmio Nobel, Eric Kandel, “Aprendizagem é como nós adquirimos informação, e memória é como nós armazenamos essa informação. Educação é sobre melhorar a aprendizagem, e neurociência é sobre tentar entender como a aprendizagem e a memória ocorrem. Memória é a cola que liga toda a nossa vida mental.”
Uma habilidade muito relevante para a sala de aula é a memória de trabalho, que representa a habilidade cognitiva de lidar com vários pedaços de informação simultaneamente, como somar números ou escolher palavras que rimam. A memória de trabalho é o alicerce da aprendizagem, pois determina a capacidade de processar informação, seguir instruções e acompanhar as atividades em sala de aula. Segundo pesquisadores, ela prediz o desempenho escolar de forma muito mais robusta do que o QI, e é menos influenciada pelo nível socioeconômico.
As habilidades de memória de trabalho se desenvolvem ao longo da infância, atingindo níveis adultos por volta dos 16 anos. “Mas em qualquer idade, existe uma faixa muito ampla”, de acordo com a pesquisadora Tracy Alloway, da Universidade de Stirling, no Reino Unido. Suas pesquisas indicam que num grupo de crianças com 10 anos de idade, algumas estão com habilidades parecidas com crianças de 5 anos e outras com as de 15 anos de idade.
Mesmo no contexto de crianças com necessidades especiais de aprendizado esse assunto é importante. Crianças com TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), dificuldade de aprendizado de leitura ou matemática, e transtornos de autismo compartilham uma fraqueza generalizada em memória de trabalho. Mesmo neste grupo, aquelas crianças que têm a memória de trabalho mais intacta tendem a ter melhor desempenho acadêmico.
Uma outra linha de pesquisa, desenvolvida por Kirby Deater-Deckard, professor de psicologia na Viginia Tech, nos EUA, analisa o papel da família no desenvolvimento da memória de trabalho. Crianças de lares caóticos, caracterizados por barulho, desorganização e horários erráticos, têm pior desempenho em tarefas de memória de trabalho, o que está relacionado a dificuldades escolares, do que crianças de lares menos caóticos.
A memória de trabalho não melhora espontaneamente em crianças com dificuldades escolares, mas pode responder a intervenção. Um estudo recente demonstrou que um programa de treinamento usando jogos de computador específicos melhorou a memória de trabalho, o QI, e resultados na aprendizagem de forma muito mais significativa do que o suporte educacional tradicional. E um programa similar obteve ganhos substanciais entre crianças com dislexia e autismo.
Pesquisas recentes têm mostrado que o cérebro utiliza um processo neuroquímico muito complexo para converter memória de curto prazo, como a memória de trabalho, em memória de longo prazo e que algumas áreas o cérebro, como o hipocampo tem papel crucial nesse processo. Basicamente, esse processo consiste em ativar certos genes para criar novas conexões entre os neurônios e, pela forma com que foi projetado, apenas as coisas significativas, prazerosas e importantes são lembradas (veja também o artigo Como nossa memória funciona). Portanto, podemos dizer que a função da educação é moldar o cérebro e isto é o que ocorre no cérebro dos estudantes quando o educador é bem sucedido.
Postado por Cérebro Melhor
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Neurociência e os Distúrbios de Aprendizagem
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Neuroplasticidade Cerebral e a Afasia

Como o Sono aumenta a capacidade de aprendizagem.
Cientistas sempre ficaram intrigados com as muitas horas que passamos em sono leve se sem sonhos. Mas um novo estudo da Universidade da Califórnia sugere que, durante essa fase pouco valorizada do sono que pode consumir metade da noite, estamos ocupados recarregando a capacidade de aprendizagem do nosso cérebro.
Os pesquisadores encontraram evidências animadoras de que explosões de ondas cerebrais conhecidas como “sleep spindles” representam a comunicação entre áreas chave do cérebro que abrem caminho para a aprendizagem. Esses impulsos elétricos ajudam a deslocar as memórias armazenadas no hipocampo, que possui uma capacidade limitada de armazenamento, para o córtex pré-frontal, que é o “disco rígido” do cérebro, liberando espaço no hipocampo para receber novas informações.
O estudo descobriu que esses tipos de ondas cerebrais podem acontecer até 1.000 vezes por noite durante uma fase anterior à do sono mais profundo e a dos sonhos. Esta fase de sono leve e sem sonhos pode consumir até metade das nossas horas de sono e ocorre mais frequentemente durante a segunda metade do período em que dormimos. De acordo com um dos autores do estudo, como muito desse sono ocorre durante a segunda metade da noite, se dormirmos seis horas ou menos, estaremos prejudicando nossa capacidade de aprender.
Em média, adultos passam um terço das suas vidas dormindo. No entanto, não há consenso científico sobre a razão dos humanos precisarem dormir. Pesquisas anteriores mostram que uma boa noite de sono nos ajuda a regular nosso humor e lidar com desafios emocionais, enquanto que a privação de sono pode tornar pessoas equilibradas em emocionalmente abaladas, indicando uma forte correlação entre perda de sono e desordens psiquiátricas.
Nesse último estudo, a equipe de pesquisadores recrutou 44 jovens adultos saudáveis e os submeteu a uma tarefa de memorização rigorosa com a intenção de carregar o hipocampo. Todos os participantes desempenharam em níveis similares. O grupo foi então dividido, com metade tirando um cochilo de 90 minutos enquanto a outra metade permaneceu acordada.
Naquela noite, o grupo todo foi submetido a outra rodada de aprendizado. A habilidade para memorizar novas informações se deteriorou naqueles que permaneceram acordados ao longo do dia. Em contraste, aqueles que tiraram um cochilo não apenas desempenharam melhor como também melhoraram suas capacidades de aprendizagem, como se o sono tivesse refrescado suas capacidades de memorização, segundo o estudo.
Testes de eletroencefalograma, que mediam a atividade elétrica nos cérebros dos que cochilaram, mostraram que quanto mais “sleep spindles” foram produzidos durante o cochilo, mais refrescados eles ficaram para aprender. Além disso, pesquisadores conseguiram associar os “sleep spindles” à atividade cerebral circulando entre a região do hipocampo e o córtex pré-frontal – duas áreas críticas para a memória.
De acordo com o pesquisador, essas descobertas demonstram que o sono pode seletivamente operar nos sistemas de memória para restaurar suas funções críticas. Também indicam que nós não apenas precisamos do sono após um aprendizado para consolidar o que memorizamos, mas que também precisamos do sono antes de aprender, para que possamos preparar o cérebro para absorver novas informações no dia seguinte.
Cérebro Melhor.